Falámos com Scott James, Diretor de Operações da Kawasaki Motors Manufacturing Corp. U.S.A., para saber mais sobre a evolução do fabrico de motores Kawasaki na nossa fábrica de Maryville e sobre a sua experiência ao longo de quase 40 anos na empresa.
Passaram quase 40 anos desde que a nossa fábrica de motores V-Twin a 4 tempos, em Maryville, produziu o seu primeiro motor. Scott James, que hoje dirige a unidade, participa nas suas operações desde o primeiro dia.
De um sonho de infância à realidade: ao longo da sua carreira, Scott passou de operário fabril a Diretor de operações. Este percurso deu-lhe uma perspetiva única sobre as mudanças na fábrica, e na indústria em geral, desde 1989.
Descubra os “três R” de Scott, que considera o segredo do seu sucesso, o que mudou na tecnologia, e o que se manteve, desde a abertura da fábrica, e como Maryville tem melhorado continuamente e produzido motores em que os paisagistas podem confiar durante anos.
Uma carreira de 37 anos na Kawasaki
Quatro décadas representam uma carreira inteira para algumas pessoas, e Scott dedicou a sua à Kawasaki. Em 1989, Scott trabalhava na montagem de produção, a primeira de muitas funções na empresa, que incluíram supervisionar a introdução de um terceiro turno na secção de maquinagem, criar o departamento de planeamento estratégico em Maryville e gerir a montagem de produção como Diretor-adjunto.
Scott progrediu de um cargo inicial até assumir a responsabilidade por toda a fábrica como Diretor de Operações. Scott comenta: “Digo sempre às pessoas que cresci na Kawasaki. Pode soar um pouco sentimental, mas, quando era miúdo, sonhava trabalhar na Kawasaki. Tem sido fantástico ter a oportunidade de contribuir para uma empresa com um impacto tão positivo nas nossas comunidades”.

Da Kawasaki em 1989 ao fabrico atual: o primeiro motor de Maryville
A Kawasaki foi o primeiro fabricante estrangeiro de veículos a abrir uma fábrica nos EUA, com a criação da unidade de Lincoln em 1974. Este passo abriu caminho para Maryville seguir o mesmo percurso e, em junho de 1989, a fábrica abriu para produzir um único modelo de motor, para um único cliente: o motor FC150V.
Scott acrescenta: “Tínhamos uma linha de montagem num edifício de 22.760 metros quadrados. Era apenas um motor para um cliente: começámos com o FC150V para cortadores de empurrar. Depois, começámos a fabricar motores da série FB para tratores de jardim. Os cortadores lineares ainda não se tinham popularizado! Naquela altura, toda a gente tinha um cortador de empurrar ou um cortador estilo trator”.
“Durante algum tempo, também produzimos motores para veículos todo-o-terreno (ATV), mas acabámos por fazer uma troca com o Japão, transferindo para Maryville uma maior parte da produção japonesa de motores para equipamentos de manutenção de relvados e jardins, pois é esta a nossa principal área de atividade”.
A fábrica de Maryville passou de produzir um único motor para cortadores de empurrar a fabricar uma gama de motores de elevada qualidade para uso profissional, destinados a uma grande variedade de cortadores, desde modelos de cortadores lineares a modelos especializados para utilização profissional em declives. Atualmente, Maryville produz a gama atual de motores V-Twin da Kawasaki, incluindo as séries FR, FS, FX e FT.
Muito mudou desde 1989, mas algumas coisas mantiveram-se, como explica Scott: “A nossa linha de montagem original continua em funcionamento. E o curioso é que não se chama linha número um, mas sim linha número nove”.
“Costumo dizer que toda a nossa fábrica foi construída em torno daquela primeira linha, porque construímos literalmente tanta coisa à sua volta. Claro que fomos introduzindo melhorias e modificações na linha à medida que a tecnologia avançou, mas continua em funcionamento”.
Para satisfazer a procura dos clientes e garantir que os equipamentos estão disponíveis quando os profissionais precisam deles, Maryville cresceu significativamente. “Em 1989, começámos com o objetivo de produzir 900 unidades por dia. No início, como sabem, era apenas um motor, um cliente. Hoje, temos dez linhas de montagem em funcionamento em Maryville e cinco em Boonville.” O crescimento de Maryville é evidente na montagem, mas algumas das mudanças mais significativas e com maior impacto ocorreram noutras áreas da fábrica.

Produção integral em Maryville: fundição sob pressão, maquinagem e montagem
A nossa fábrica de Maryville não se dedica apenas à montagem. Na fundição sob pressão, os cárteres são fundidos a partir de lingotes de alumínio em bruto; na maquinagem, as peças são trabalhadas de acordo com especificações rigorosas; depois, são montadas e os motores são testados em funcionamento para obter o produto final. Tudo sob o olhar atento de uma equipa dedicada à qualidade.
Do alumínio fundido ao motor acabado, toda a produção dos nossos motores V-Twin decorre em Maryville. Porque é que isto é importante? Porque nos permite controlar o processo, e a qualidade, desde o início.
A qualidade é sempre uma prioridade na Kawasaki, e a decisão de integrar primeiro a maquinagem e, depois, a fundição sob pressão reforçou ainda mais a nossa capacidade de garantir a fiabilidade. Como comenta Scott: “Cada vez que avançávamos com essa integração vertical, aumentávamos verdadeiramente o nosso valor, porque conseguíamos fazer melhor internamente e não tínhamos de lidar com a logística de obter peças noutros locais”.
“Inicialmente, as peças eram fundidas no Japão e enviadas para cá para a produção. Começámos a perguntar-nos: será que Maryville consegue fazer isto? E decidiu-se investir o capital necessário para começar a fundir essas peças aqui para abastecer a nossa secção de maquinagem, em vez de as transportar de uma ponta à outra do mundo.”
Além da fundição sob pressão, da maquinagem e da montagem, Maryville também acolheu atividades de pesquisa e desenvolvimento. Embora a área de P&D da Kawasaki Engines se tenha entretanto mudado para Grand Rapids, no Michigan, começou em Maryville em 1995. O primeiro motor totalmente desenvolvido em Maryville foi o FH500V.
A cultura: qualidade integrada no produto
Da direção aos operários fabris, o empenho em oferecer um produto de elevada qualidade é evidente assim que se entra na fábrica.
Manter padrões excecionalmente elevados faz parte do ADN de Maryville, onde impera uma mentalidade de melhoria contínua. De tal forma que, como refere Scott, “a qualidade é incorporada no nosso produto em cada etapa”.
“A melhoria contínua é uma parte fundamental, porque nos mantém focados. Faz parte de tudo o que fazemos, impulsionando a qualidade, os nossos processos, a nossa formação e a nossa comunicação. Deixamos os padrões bem claros para todos.”
Todos os que trabalham na fábrica partilham um evidente sentimento de orgulho. Garantir que as pessoas podem confiar nos equipamentos Powered by Kawasaki Engines é mais do que uma ambição distante: é uma questão pessoal.
Scott acrescenta: “Fabricamos produtos que as nossas famílias, os nossos amigos e os nossos vizinhos utilizam no dia a dia. Por isso, não nos limitamos a fabricar um produto para os nossos clientes: também interagimos com eles regularmente”.
“É praticamente impossível trabalhar aqui sem contactar com as pessoas que utilizam o nosso produto. Isso ajuda a criar essa cultura, esse compromisso de fornecer um produto de qualidade, porque nenhum de nós quer chegar a casa e ouvir familiares ou amigos dizer que os seus motores não estão a funcionar bem. Ninguém quer ouvir: «Bolas, vocês não fizeram um motor lá muito bom!» Todos partilhamos esse sentimento de orgulho”.

Como evoluiu a tecnologia de fabrico da Kawasaki em quase 40 anos?
A tecnologia de fabrico evoluiu muito desde 1989. Em Maryville, os processos passaram de operações totalmente manuais para uma combinação de operações manuais e automatizadas, melhorando a eficiência, a segurança dos trabalhadores e o controlo de qualidade.
“Na primeira linha de montagem, dependíamos do sentido de responsabilidade de cada pessoa. Agora, temos máquinas, equipamentos e sistemas de controlo implementados: se alguma coisa falhar, somos alertados.”
“Na maquinagem, uma peça tinha de passar por 29 máquinas diferentes, cada uma configurada para um único processo específico. Isto exigia muito tempo e muita movimentação das peças por parte dos operadores. Na fundição sob pressão, acontecia o mesmo: havia mais operações manuais. Hoje, temos sistemas robóticos e conseguimos realizar vários processos com uma única máquina. É muito mais seguro para os nossos trabalhadores.”
As práticas de reciclagem também mudaram significativamente desde 1989. A Kawasaki Engines empenha-se em minimizar os resíduos sempre que possível, e esta atitude é evidente na fábrica de Maryville. Scott explica: “Começámos apenas por tentar reduzir o que enviávamos para aterro. Agora, reutilizamos ou reciclamos os excedentes de ferro fundido, aço, alumínio, etc., reduzimos as embalagens e utilizamos recipientes retornáveis. Também avaliamos constantemente os produtos químicos e os fluidos de corte utilizados nos nossos processos de maquinagem”.
À medida que a tecnologia e as práticas de fabrico evoluíram, também evoluiu a tecnologia dos nossos motores. Do cumprimento dos limites de emissões à melhoria da eficiência do consumo de combustível, procuramos responder às alterações regulamentares e aos desafios dos paisagistas. Scott refere: “Temos assistido à transição dos motores com carburador para EFI. Recentemente, um dos nossos lançamentos mais importantes foi o motor da série EVO”.
“Também introduzimos algumas melhorias para facilitar a mudança ou a reposição do óleo. Continuamos sempre à procura de formas de melhorar os nossos motores para todos.”
Gerações de mestres
Várias gerações trabalharam e continuam a trabalhar na fábrica de Maryville, que emprega mais de 900 pessoas. Existe um forte sentimento de comunidade e são muitos os trabalhadores com uma longa permanência na empresa: 16 pessoas que já lá trabalhavam quando a fábrica abriu, em 1989, continuam hoje na unidade.
Isto ajuda a reforçar a cultura de cuidado e compromisso presente na fábrica. Para muitos, trabalhar na Kawasaki é uma honra, uma opinião partilhada pelas suas famílias. Scott comenta: “As famílias partilham o orgulho no trabalho que fazem. Naturalmente, os seus familiares também querem vir trabalhar para aqui. No meu caso, quando comecei na Kawasaki, em 1989, a minha tia trabalhava aqui. O meu primo começou uma semana depois de mim e ainda cá está. A minha mulher reformou-se depois de 23 anos de serviço na Kawasaki”.
O ambiente familiar de Maryville é evidente para quem visita a fábrica, tal como a forte ética de trabalho característica do Midwest americano. Scott traz essa ética para a Kawasaki, fruto de ter crescido numa quinta. Ainda hoje, quando não está na Kawasaki, é provável encontrá-lo num trator a cuidar da sua própria quinta.
A base da abordagem de Scott e do seu sucesso na Kawasaki remonta a esses primeiros anos e aos conselhos dos seus pais: “Ensinaram-me os três ‘R’: respeito, responsabilidade e resolução de problemas”. Scott explica: “Respeito significa valorizar as pessoas e os seus contributos. Responsabilidade significa fazer o que dizemos que vamos fazer e assumir a responsabilidade quando algo precisa de atenção. Resolução de problemas significa descobrir uma forma de seguir em frente, mesmo perante desafios. Estes valores têm sido a base da minha ética de trabalho e ajudaram-me na Kawasaki”.

O futuro do fabrico da Kawasaki Engines
A nossa fábrica de Maryville está quase irreconhecível em comparação com a altura em que abriu, há quase 40 anos. Da rápida expansão aos avanços tecnológicos, a fábrica evoluiu para responder às exigências do nosso setor, mantendo os elevados padrões de qualidade pelos quais a Kawasaki é conhecida.
Ao comentar como poderá ser a fábrica de Maryville daqui a 10 ou 20 anos, Scott avança: “A tecnologia evolui tão depressa que é realmente difícil fazer uma previsão exata. Espero que haja mais automatização, que utilizemos mais dados para avaliar como podemos melhorar e que tenhamos tecnologia que nos ajude a trabalhar com ainda mais segurança do que hoje”.
“A nossa gama de produtos irá, naturalmente, evoluir à medida que avançamos. É isso que, em parte, nos tornou líderes no nosso setor: estamos sempre a procurar formas de melhorar os nossos motores para os nossos clientes, sejam fabricantes de equipamentos de origem (OEM) ou utilizadores finais”.
Sobre o legado que espera deixar na Kawasaki, Scott afirma: “Espero que o legado não se centre em mim, mas que, quando sair, tenha conseguido estabelecer processos sólidos e sustentáveis e formar a próxima geração de líderes da nossa equipa, para dar continuidade ao sucesso da Kawasaki muito depois da minha saída”.
Scott partilha o seu conselho para quem espera seguir um percurso semelhante: “Todos começamos com um sonho. Não há dois percursos profissionais exatamente iguais, mas não deixem que o ponto de partida limite até onde podem chegar. É preciso continuar a ter vontade de aprender, de crescer e de aceitar novos desafios. Haverá sempre contratempos pelo caminho, mas a persistência é importante. É preciso continuar a avançar, continuar a melhorar e nunca desistir de nós próprios”.
Agradecemos a Scott por partilhar a sua experiência de quatro décadas no fabrico de motores Kawasaki e o seu empenho na melhoria contínua, que sustenta a potência dos equipamentos profissionais. Se quiser conhecer melhor os bastidores da Kawasaki Engines em Maryville, veja o nosso vídeo com Scott e a sua equipa ainda hoje.